Em 1975, já depois do 25 de Abril, o Parque Eduardo VII foi palco da primeira manifestação feminista na capital do País. Convocada pelo Movimento de Libertação das Mulheres (MLM), a manifestação ocorrida a 13 de janeiro visava a denúncia das muitas formas de opressão sexista que persistiam (e haviam de persistir tantos anos depois), apesar da recém-proclamada democracia. A liberdade, afinal, estava ainda por cumprir – em casa, no trabalho, na sexualidade, na rua. A manifestação tinha como plano o atear de uma fogueira, onde seriam queimados símbolos da opressão feminina (legislação da altura, utensílios domésticos, brinquedos estereotipados, entre outros), mas o desfecho foi absolutamente diferente: as manifestantes acabaram atacadas pelos muitos homens então presentes no Parque Eduardo VII.

Nada assinala hoje, no Parque Eduardo VII, o que aconteceu há 44 anos. Apesar do marco histórico, a memória coletiva é nebulosa: muitas/os desconhecem a manifestação feminista ali ocorrida (e persistem ainda os mitos sobre a queima de soutiens).

É face a esta ausência evocativa (e ao mais lato apagamento das mulheres na História, na toponimia e no espaço público) que se ergue a candidatura “Monumento aos Movimentos Feministas na Cidade de Lisboa”. Promovida pela Associação Mulheres sem Fronteiras, a candidatura inserida no Orcamento Participativo de Lisboa 2018/19 reivindica um monumento alusivo aos movimentos feministas, simbolicamente localizado no Parque Eduardo VII. A finalidade da candidatura mobilizada – e do Monumento que se espera vir a existir – é contribuir “para a afirmação e visibilidade das meninas, raparigas e mulheres no espaço público bem como a sua promoção enquanto sujeitos históricos, contribuindo para a preservação da sua memória histórica”, nas palavras da Associação.

É muito simples, neste caso, participar na construção de uma cidade com História e para todas/os. O voto é gratuito: basta  enviar uma sms com o número 64 para 4310. Todas/os podemos votar nesta candidatura. A luta das mulheres não se faz sem memória, sem visibilidade e sem reivindicação do espaço público. Hoje, como ontem – e como em 1975.

 

Se tem nº estrangeiro: envie 64 para 00351927904200

Mais informações sobre a candidatura disponíveis aqui.

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