Ladurée: chá em Lisboa, ufa

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Portugal não é um país amigo do apreciador de chá. Nem mesmo em Lisboa, onde a variedade de oferta é grande. Existem os hotéis (geralmente excessivamente pomposos, caros e sem oferecerem um decente ritual de chá da tarde), há umas décadas tínhamos a Caravela no Chiado (com deficiências, mas era o melhor que se conseguia), houve uma sala de chá na Lanidor da Avenida da Liberdade (nem sei se permanece aberta). Nada de deleitar. E o resto, bem, o resto é de fazer o maior apreciador de chá (ou apreciadora – é o caso) chorar em abundância e decidir-se a tomar chá só em casa, num bule decente, com folhas de boa qualidade. Porque, meus amigos, o que se serve nos cafés normais, ou mesmo nos que tentam ser mais arrebitados, é de nos dar vontade de emigrar em definitivo para qualquer território britânico, com Brexit ou sem Brexit. Os chás são de saquetas, invariavelmente de marcas manhosas correntes (que é como quem diz, chá de péssima qualidade), a água é a versão escaldada hiper quente das máquinas de café (quando o chá deve ser feito com água à volta dos 90º) e, o pior, geralmente servem nos bules de inox, absolutamente horrorosos e desadequados para chá (e que entornam tudo quando se deita o chá. Estes bules correm o risco de ser a pior invenção da humanidade depois das armas químicas e nucleares.)

Tendo em conta este panorama tenebroso, foi com alegria e ansiedade que soube da abertura da sala de chá da Ladurée em Lisboa, no Forum Tivoli. Não desiludiu.

O chá é servido em bules de casquinha. Melhor seria em folhas com o passador – mas, bem, não estamos no afternoon tea do Brown’s ou do Berkeley, pelo que assim está muito bem. As chávenas são de boa porcelana, os serviços bonitos. A quantidade suficiente para três ou quatro chávenas (em vez da uma e meia que nos outros lados generosamente fornecem).

Os chás são os da marca Ladurée. Se não competem com os melhores do Harrod’s ou da Fortnum and Mason, a qualidade aqui é média superior. Têm os single origin – Ceilão, Darjeeling -, Lapsang Souchong (um chá fumado), o Earl Grey e o English Breakfast, que nunca falham. Mas têm também as misturas próprias, de chá preto e chá verde. Para quem gosta de chás aromatizados (eu gosto muito no inverno) sugiro o Othello (chá preto com especiarias – 5,5€) e o Roi Soleil (chá verde com bergamota e ruibarbo – 5,5€).

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A acompanhar, há a famosa pastelaria Ladurée (não, não são só os macarons), com os clássicos Ispahan (um macaron gigante com framboesas – 7€) e Plaisir Sucré (uma overdose de chocolate e avelãs – 6€) e também as tartes de limão com merengue, a tarte tatin de maçã (4,5€), Mont Blanc (6€), éclair de chocolate (4,5€) – a pastelaria vai variando. Além, claro, dos macarons, essas deliciosas microdoses de açúcar, que podem tanto ser consumidos como comprados nas caixas coloridas para levar.

A decoração tem ar vintage afrancesado, com apontamentos de estética art deco. E, no fim da pequena refeição (ou grande, que a Ladurée também serve pequenos almoços, brunch e almoços), podem-se comprar os ditos chás em caixas bonitas, velas, compotas, sacos reutilizáveis para compras.

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Avenida da Liberdade, 180

(aberto das 8h00 às 20h00)

 

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Maria João Marques
Mãe de dois rapazes e feminista (das duas características conclui o leitor inteligente que não quer exterminar os homens da face da Terra). Licenciou-se em Economia ao engano, é empresária, mas depois encarreirou para os Estudos Orientais, com pendor para a China. Foi blogger e é cronista do Observador. Considera Lisboa (onde nasceu e vive) a cidade mais bonita do mundo, mas alimenta devaneios com Londres e Hong Kong.

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