As melhores respostas à COVID são em países liderados por mulheres

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É um facto: a maioria dos países que se têm salientado por responderem de forma mais eficaz à COVID-19 são chefiados politicamente por mulheres.

Na Europa podemos nomear Angela Merkel, cujo país respondeu com a eficiência pouco aparatosa mas eficaz de sempre, fazendo uso do seu oleado sistema de saúde, conseguindo manter o número de mortes em números suportáveis (ainda que na Alemanha só contem como mortes de COVID os doentes sem patologias pré-existentes, o que dá uma ideia errónea por defeito das mortes alemãs). Por estes dias Merkel explicava, claramente, como as medidas de contenção do contágio são ainda necessárias, porque um pequeno incremento na taxa de contágio pode fazer esgotar a capacidade de resposta dos hospitais. Bem como os países nórdicos, tirando a Suécia (com o dobro das mortes por COVID que tem Portugal, para a mesma população). Todos os países (menos a Suécia), foram eficazes na contenção da pandemia. Todos são liderados por mulheres. A Suécia é liderada por um homem, e mesmo tendo muito menor densidade populacional, donde, menor possibilidade de contágio que a maioria dos países europeus, não tem resultados brilhantes: poucos testes feitos e muitas mortes por milhão de habitantes.

Na Ásia temos o exemplo de Carrie Lam, em Hong Kong (região chinesa que nestas matérias tem grande autonomia administrativa). A ação foi determinante logo de início da epidemia por coronavírus em Wuhan, chegando a fechar de modo unilateral praticamente todas as fronteiras terrestres entre o território de Hong Kong e a China. Houve encerramento de escolas, uso generalizado de máscaras e de gel desinfetante, funcionários públicos em tele trabalho em casa.

Mas a melhor prestação tem de ir para Taiwan, com Tsai Ying-wen. Apesar da proximidade, eliminou voos vindos da China, Hong Kong e Macau muito cedo, a certa altura convidou os turistas chineses da região de Wuhan a regressarem ao seu país, aumentou a produção de equipamentos de proteção individual, promoveu o uso generalizado de máscaras na população (neste momento são distribuídas pelo estado, para garantir a universalidade e a igualdade de acesso), encerraram as escolas algumas semanas, as universidades também, quando a COVID se espalhou proibiu estrangeiros de entrarem em Taiwan, os residentes que regressam à ilha são obrigados a observar uma querentena. Tsai Ying-wen foi tão decisiva que não permitiu que o contágio chegasse sequer à fase exponencial.

Há mais casos de mulheres líderes com bons resultados. Esta observação começou por ser conversa de twitter, porém já chegou aos media norte-americanos. Leta Hong-Fincher escreveu há poucos dias para a CNN sobre este assunto, e a Forbes também já dedicou linhas a este aparente benefício das lideranças femininas.

Por outro lado, os países que responderam com bravata dos machos que se julgam imbatíveis, a quem até os vírus se vergam, são todos liderados por homens. Donald Trump (em roda livre num espetáculo penoso), Bolsonaro (que é doloroso de assitir, tal a idiotia básica e reles que evidencia) e até Boris Johnson, que chegou demasiado tarde a conclusões evidentes sobre o coronavírus. Claro que há países chefiados por homens bem sucedidos na resposta à pandemia – desde logo Portugal, a Coreia do Sul, a Grécia e outros com lideranças razoáveis.

Em todo o caso não é nova a conclusão de que as mulheres têm qualidades de liderança que as habilitam particularmente para lidar com crises (se calhar porque lidamos com crises e ameaças desde o berço). Um estudo de 2019 concluiu que a liderança mais relacional das mulheres é a preferida nas organizações em tempos de crise. A McKinsey também investigou e concluiu que as empresas onde existiam mulheres nas administrações eram mais capazes de enfrentar crises, porque a organização confia mais nas lideranças, e tornam-se mais saudáveis a seguir às crises. E já depois da crise de 2008 se havia concluído que as instituições financeiras com mulheres nas administrações tiveram menos sismos que as exclusivamente de homens. Quem o diz é o Fundo Monetário Internacional.

A necessidade de representação proporcional das mulheres na política é necessária por todas as razões. Uma delas é a cabeça no lugar, o sentido de procura de bem da comunidade, a resiliência, as skills relacionais que as mulheres têm em maior quantidade.

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