A profissão mais mortal do mundo

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Imagem de Isabel Santiago.

A profissão mais antiga mortal do mundo.

A prostituição rende mais de 186 biliões de dólares por ano. É a segunda indústria negra mais rentável do mundo, ultrapassando os lucros anuais do tráfico de cocaína, heroína e metanfetaminas, juntos. E compreende-se a rentabilidade: um kilo de cocaína vende-se uma única vez, uma única mulher pode ser vendida 20 vezes por dia, todos os dias, enquanto estiver viva. E em todo o mundo a venda de cocaína é ilegal, já em vários países a exploração sexual e venda de mulheres é uma actividade lícita.

Falamos em mulheres porque são elas 90% das pessoas prostituídas. Mulheres e meninas representam 72% das vítimas de tráfico humano e uns assustadores 94% das vítimas de tráfico sexual.

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Fig. 1 : Vítimas de tráfico humano, por grupos de idade e de sexo, 2016, página 25 do Relatório Global de Tráfico de Pessoas 2018, da ONU.

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Fig. 2 : Vítimas de tráfico humano para exploração sexual, por grupos de idade e de sexo, 2016, página 33 do Relatório Global de Tráfico de Pessoas 2018, da ONU.

A prostituição é inerentemente violenta, porque envolve, por definição, um acto sexual indesejado. Mas a violência não termina aí.

As mulheres prostituídas têm uma taxa de mortalidade 40 vezes superior à da população geral. O risco de homicídio é 60 a 100 vezes superior ao das mulheres não prostituídas. Os números são claros: a prostituição é a “profissão” mais mortal e mais perigosa do mundo.

Activistas dos direitos masculinos, liderados pelo messias do youtube Jordan Peterson, adoram espalhar a falsa narrativa das maiores vítimas ocupacionais serem homens. Partilham listas como esta, vitimizam-se e queixam-se que ninguém os ouve:

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Fig. 3 :  Top 20 ocupações mais perigosas nos EUA, e respectiva percentagem masculina, 2015

Analisemos esta lista: de acordo com ela, a ocupação mais mortal é a exploração madeireira que vitima 132 homens por cada 100’000 trabalhadores. Mas segundo este estudo de referência, a prostituição vitima 459 mulheres por cada 100’000 pessoas (não só trabalhadores, alerte-se). São números e realidades incomparáveis: a prostituição mata mais mulheres – não se incluindo as vítimas mortais masculinas, que as há – que todas estas 20 ocupações juntas.

O que fazer? Regulamentar a prostituição ataca este problema? Diminui o número de mortes?

A resposta é um não redondo:

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Fig. 4 :  Homicídios de mulheres prostituídas em países europeus seleccionados, Nordic Model Now.

A legalização fez centenas de vítimas mortais, para além de aumentar o tráfico humano. Já a Suécia, a pioneira dos países que aboliram a prostituição, não teve um único homicídio relativo à prostituição em 20 anos, desde que introduziu o modelo nórdico em 1999 – o caso contabilizado acima foi um femicídio, a mulher prostituída foi assassinada pelo seu ex-marido, numa disputa pela custódia da filha de ambos.

A Noruega teve o mesmo sucesso. O modelo nórdico funciona, reduz significativamente o número de pessoas prostituídas, o tráfico humano, a violência e os crimes relacionados com a prostituição. Por isso são cada vez mais os países a introduzirem este modelo – Canadá e França foram os mais recentes.

Estes países enfrentaram a realidade e confirmam que a prostituição não é uma profissão e também não é a mais antiga do mundo. É sim a uma forma de violência que faz milhões de vítimas todos os anos e que mata mais pessoas que qualquer outra actividade.

Como escrevi neste artigo, se vemos a evolução da nossa sociedade como a conquista progressiva da dignidade humana, temos de acreditar que conseguiremos criar uma sociedade onde a prostituição foi abolida ao lado da escravatura. Porque a Suécia mostrou-nos que é possível.

#NordicModelNow

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