Mulheres e Crianças Primeiro

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Entro no lugar-comum, a covid-19, pois resolvi expor a minha mais recente opinião perante o conhecimento destes números apresentados e actualizados aqui.

Não me formei em Harvard, nem almejo com isto apresentar-me como uma sumidade que tem todas as certezas na matéria que a todos nos afecta pois tenho muitas incertezas sobre tudo isto…

Apenas quis opinar sobre qual acho ser o grupo que se pretende defender com as medidas tomadas até então.

Abaixo indicado segue um simples cálculo face aos números apresentados no site acima mencionado:

Captura de ecrã 2020-04-20, às 21.14.51
Dos números apresentados resulta que até aos 39 anos ainda não houve mortes pela covid-19 em Portugal.

Se olharmos para este cálculo podemos concluir que foram as mulheres que mais se expuseram à doença pois foram identificadas com mais casos positivos. No entanto, se verificarmos os óbitos constatamos que a covid-19 mata mais pessoas do sexo masculino do que feminino.

Fazendo uma simples analogia sobre o género e faixa etária predominante na elite portuguesa e que exerce cargos decisivos talvez possam concluir o mesmo que eu:

Não, não estamos a defender as mulheres e crianças. E “desenganem-se”, também não estamos a defender os avós a quem tanto amamos.

O que essa elite também não nos disse, nem convém, é que esta “quarentena”, que não foi restrita aos grupos de risco abrangendo os grupos assintomáticos com baixíssima percentagem de incidência letal, serve primeiramente de bode expiatório para a crise económica que já se avizinhava pré-covid19.

Mas todo o esforço económico seria justificado se efectivamente salvasse mais vidas humanas do que as que tem e vai ceifar. Infelizmente não acho ser esse o caso.

Senão vejamos quantas pessoas mata e matará o desemprego, a pobreza extrema, a falta de rendimentos? Quantas pessoas morrem e morrerão vítimas de depressão? Quantas doenças graves e letais estão associadas ao stress com que todos vivemos presentemente? Também qual o sexo predominante que tem contratos precários e mal remunerados? Qual o género com maior percentagem no desemprego, e agora em lay-off? Qual o sexo que predomina na monoparentalidade e que agora se viu forçado a estar em casa com os filhos? Qual o género maioritariamente vítima de violência doméstica?

Também: Quantas crianças neste momento estarão confinadas com o seu abusador? Qual o número de crianças que estará a passar fome pois deixou de fazer as suas refeições nas escolas? Quantas crianças estão e estarão a ser maltratadas expostas a um maior nível de “stress” dos seus cuidadores estando encerradas sem apoio nem vigilância nas suas casas? Quantas crianças poderão ter sido já mortas neste período?

Mais: Que número haverá de pessoas com indícios de doenças graves, por exemplo que encontram nódulos cancerígenos, com sintomas de AVC, e que se sentem “inibidas” de ir aos hospitais por causa da covid-19? Quantos doentes que precisam de tratamentos regulares que lhes trazem uma básica qualidade de vida estão agora impedidos de ir aos hospitais por causa da covid-19? Temos também exemplos de crianças que deslocam membros e que são avaliados clinicamente no carro à porta do hospital para não entrarem nas urgências. Sabemos de mulheres grávidas que foram impedidas de ter os respectivos acompanhantes nas salas de partos por causa da covid-19. Há casos de recém-nascidos impedidos de amamentar, de beber o colostro que as protegeria na vida, de estarem colados às suas mães, pelo facto das mesmas estarem infectadas pela covid-19. Conhecem-se pessoas com covid-19 que padecem de outras doenças que deviam ser clinicamente tratadas e que são enviadas para casa para ficarem de quarentena obrigatória.

E todo este esforço para, segundo nos dizem repetidamente até à exaustão, não colapsarmos o sistema nacional de saúde.

Nós, portugueses, não queremos esse colapso, não queremos ser responsáveis por mortes e temos feito em massa e escrupulosamente o que nos é ordenado. Mas eu pergunto se não haverá um maior colapso no novo surto que se prevê decorrer por volta de Outubro/Novembro deste ano. Pergunto-me se o SNS não colapsará nessa altura em que também estaremos no pico de maior incidência de gripes, inclusive da gripe A e B, das pneumonias, infecções respiratórias, entre outras.

Não teria sido melhor, prevendo-se a ocorrência de um novo surto e para não colapsar o SNS nessa altura, que os grupos de menor risco estivessem a ser faseadamente “imunizados” enquanto os grupos de risco se mantivessem em confinamento?

Além disso qualquer mulher, ainda que de baixo risco, se ouvir em loop que todos os esforços pedidos servem proteger as crianças da remota possibilidade de morrer da covid-19, nem questiona. O efeito é imediato e eficaz pois por norma as mulheres e mães tudo fazem para proteger as suas crias. No entanto, o que não é dito é que este altruísmo patente nos grupos dos menos afectados, reforço que são maioritariamente as mulheres e crianças, pode condená-las.

Pergunto, se a covid-19 fosse uma doença que matasse maioritariamente mulheres e crianças, se a nossa elite decisora tomaria as mesmas medidas e se o altruísmo seria o mesmo…

A maioria das mulheres portuguesas foi educada para servir, para abdicar de si, pelo que esta campanha de terror tem resultado na perfeição… Desconheço casos de mulheres infectadas que tenham fugido da quarentena obrigatória.

Não quero obviamente com este artigo meramente opinativo criar uma guerra de sexos/ géneros mas do que tenho vindo a constatar as mulheres mostram-se mais altruístas e empáticas na luta por um bem comum.

Já a estratégia da Suécia consistiu em confinar unicamente aos grupos de risco algo que pode ter trazido benefícios para uma possível imunidade de grupo. No entanto, o primeiro-ministro já assumiu algumas lacunas e que infelizmente já resultaram num elevado número de mortos.

Os suecos fazem parte de uma sociedade igualitária com pouco “gender BIAS” e não sei se esta opção não poderá estar também correlacionada com isso. Já muitos suecos recorrem ao teletrabalho, pelo que também nesse sentido não houve grande mudança.

Em Portugal o recurso obrigatório ao teletrabalho foi encarado pelo comum patronato como um “murro no estômago”, e estranhamente o governo considerou que se um dos pais estivesse em teletrabalho o outro não poderia recorrer ao apoio financeiro criado para cuidar dos filhos nesta altura, ou seja assumiu que seria compatível cuidar e educar os filhos trabalhando em simultâneo. Esta estranha medida a longo prazo poderá ter o propósito de dar razão aos fracos argumentos anteriormente apresentados pelos patrões quando inibem os seus trabalhadores de o fazer a partir de casa e continuaremos a fazer parte de um País onde não se consegue conciliar o trabalho com a família.

A previsão para Maio do afrouxamento das medidas austeras tomadas até agora, nomeadamente a abertura das creches, está a aterrorizar um enorme número de mães que discorda desta medida em particular. Penso que este histerismo que se traduziu na criação de 4 petições diferentes possa ser decorrente da desinformação em relação ao número de crianças afectadas face ao natural medo materno de perder os filhos.

Quem tem a alternativa de ficar com os filhos em casa, se está com receio de os levar, que se mantenha em casa, agora há pais que não têm alternativa nem poderão ficar sem rendimentos. Da mesma forma que estão abertas escolas de referência para os pais que se encontram na linha da frente no combate à covid-19, entendo que as escolas faseadamente tenham de ser reabertas.

Se mantivermos o distanciamento social, se os grupos de risco foram protegidos e resguardados com eficácia, se for proliferado o uso das máscaras, se se mantiver o recurso ao teletrabalho para quem pode (não acoplando ao cuidado dos filhos ao mesmo tempo) talvez as coisas faseada e sustentadamente retomem à normalidade minimizando o impacto económico e as mortes potencialmente criadas por esse impacto.

É também nosso direito sermos tratados com respeito e não como seres acéfalos e irresponsáveis e isso não é compatível com a suspensão da democracia.

Mas voltando ao tema principal original.  “Women and children first” acham mesmo que é este grupo que está e vai ser protegido?

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