Para tornar menos pesado o orçamento familiar e para educação ecológica dos mais pequenos, os adultos da casa decidiram comprar um carro eléctrico em segunda mão, num valor máximo de 10.000 euros.
Chegados ao stand, convenceram-nos a adquirir um Renault Zoe, de 2014, com autonomia máxima de 130km, e com contrato de aluguer de baterias à Renault, garantindo-nos que o valor mensal seria irrisório e, caso a bateria tivesse algum problema, a troca e/ou manutenção da mesma seria sem qualquer acréscimo de custos.
Pesquisamos os postos de carregamento, na altura da compra gratuitos, e avançamos com a compra.
Ao fazer o seguro do carro tivemos de fazer um seguro contra todos os riscos com um apenso referente à bateria, ou seja, pagamos o aluguer da bateria que contemplaria um seguro mas com a redundância de custos para nós de forma a segurá-la novamente.
Ficou combinado com o stand que no final do ano, consoante os kms efectuados com o carro, se afinaria o valor da prestação mensal a acrescer ao empréstimo automóvel, ainda sem sabermos que os 59 euros ventilados para a mensalidade seriam para um máximo de 7500km anuais, o que, tendo nós a intenção de fazer 200km diariamente, rapidamente os excederíamos.
Ou seja, a prestação de 59 euros mensais passou então a 118 euros.
Mas pronto, independentemente disso sairia mais barato caso fosse fácil carregar e houvesse postos de carregamento gratuitos ou a baixo custo espalhados pelo país e, de preferência, que funcionassem, pois em casa não tínhamos infraestruturas que nos permitissem carregar durante a noite, o que por sua vez também acresceria à conta da electricidade.
Começou então a nossa saga diária com o único carro de família…
O carro totalmente carregado supostamente poderia andar até 130 km sem carregar.
Mas há aqui uns senão:
Se andarmos na autoestrada a mais de 90km/h, reduz para metade a autonomia. Se estiver frio também reduz drasticamente e poderemos não conseguir chegar a um posto de carregamento.
Se chegarmos, podemos ter de esperar algumas horas pois pode estar algum carro a carregar. E, se não estiver, teremos de estar nós durante mais de 1h (se o posto for rápido) a carregar.
Não há muitos postos rápidos e agora pagam-se bem.
Os postos gratuitos de carregamento rápido que havia, dando o exemplo da capital, reduziram a potência ou deixaram de existir, ou simplesmente deixaram de funcionar.
Dando como exemplo o nosso Zoe de 22kW, os postos de carregamento “normal” demoram entre 3 a 4 horas a carregar, e os postos de carregamento “lento” demoram 9 a 12 horas.
Depois, claro, há carros que mesmos nos postos de carregamentos “rápidos” demoram cerca de 4 horas a carregar, como é o caso do Nissan Leaf, ou 6 horas a carregar, como alguns modelos da Tesla. O que implica a que se estivermos enrascados tenhamos de esperar quase um dia inteiro para conseguir sair do local, e isto considerando que esses condutores têm civismo e retiram os seus veículos findo o carregamento, o que muitas vezes não acontece.
Também há locais, como o Ikea de Loures, cujos carregadores num fase inicial funcionavam bem e eram rápidos mas deixaram de o ser e “vão abaixo” passados 10 min de carregamento.
Também os do Leroy Merlin de Alfragide desligam e bloqueiam os cabos de carregamento.
Na véspera de Natal do ano passado resolvemos ir a Lisboa e Sintra, resultando que, passado doze horas à procura de postos funcionais, não tivéssemos conseguido carregar o carro, regressando à nossa localidade de autocarro.
Viver com este stress de não saber se temos autonomia suficiente de chegar ao destino, sempre em count-down, de ter de esperar horas indefinidas para conseguirmo-nos locomover 100km, se devagar, não é para nós.
Já não queremos saber da consciência ambiental…
Desculpa querida Greta…
Mas neste momento queremos um carro a gasóleo ou gasolina na certeza de conseguir chegar ao destino e de atestar, na loucura, em 5 min…
Quem quer comprar o nosso carro?
