Equívocos nas eleições europeias

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O equívoco mais perigoso de todos é Rui Rio convencer-se que o bom resultado (relativo) do PSD é a prova acabada de que a sua estratégia de oposição está certíssima e que não é preciso mudar nem ajustar nada.

Tudo indica que os resultados das eleições europeias, a 26 de Maio, vão dar azo a vários equívocos.

O primeiro equívoco, e o mais fácil de resolver, será o de pensar que os novos partidos não são capazes de eleger deputados, por não o conseguirem fazer neste sufrágio. Um exercício fácil será calcular quantos deputados estas novas agremiações conseguiriam se as eleições fossem legislativas.

É provável que a Aliança e a Iniciativa Liberal (IL) conseguissem alguns deputados e, pelo que temos visto da capacidade de agitação do PAN, com um único deputado, isso poderá mudar muito o novo parlamento. Em relação ao Chega, ainda é incerto se vai conseguir sequer apresentar-se às eleições de Maio.

Há mudanças que se esperam destes resultados: i) a IL terá de ser incluída nas sondagens; ii) as ideias dos novos partidos deverão passar a receber maior atenção da comunicação social.

A IL tem sido, de longe, o partido (incluindo os instalados) que tem exibido maior vitalidade e originalidade, em termos de ideias – e da sua comunicação. É deveras estranho que, quanto mais não seja por curiosidade pela novidade, não receba mais atenção.

Mas será, sobretudo, as votações no PS e no PSD que poderão gerar os maiores e mais graves equívocos.

O PS começa por apresentar um péssimo candidato como cabeça de lista, a quem, há muito tempo, pelas razões mais misteriosas, foi prognosticado uma brilhante carreira política. Na verdade, Pedro Marques nunca apresentou nenhuma ideia digna desse nome, gera pouca empatia e não fala de forma minimamente cativante. A não ser que o seu “valor” político resida na sua capacidade de enganar e mentir descaradamente, com a maior cara de pau, não se compreende a razão da sua “promoção” (?), um ministro que não fez nada, para além, como se disse, de mentir com quantos dentes tem.

A lista socialista prossegue com a ex-ministra Maria Manuel Leitão Marques, que nesta reencarnação foi uma pálida imagem do passado (teria sido uma muito melhor cabeça de lista), passando para um escandaloso 3º lugar (promovido do 7º lugar nas últimas europeias) de Pedro Silva Pereira, o alter ego de Sócrates, o primeiro-ministro responsável pela quase-bancarrota e austeridade da “troika”.

Com isto tudo, é muito provável que o PS tenha um fraco resultado (relativo), que isso assuste os socialistas e os leve a aumento o populismo e eleitoralismo da sua governação até às legislativas.

À direita, também haverá equívocos. O mais perigoso de todos é Rui Rio convencer-se que o bom resultado (relativo) do PSD é a prova acabada de que a sua estratégia de oposição está certíssima e que não é preciso mudar nem ajustar nada.

Nada de mais errado, Rio tem sido um péssimo líder da oposição e a complacência perante estes resultados só pode agravar isso.

É provável que o CDS tenha um desempenho decepcionante e é possível que este partido atribua uma importância excessiva a isso e se lance numa campanha anti-PSD. É de temer que, esquecendo que as eleições se ganham ao centro, o PSD desvie as suas atenções para a direita, desguarnecendo o que é vital. 

Em resumo, as votações de Maio dificilmente serão extrapoláveis para Outubro, até porque a conjuntura externa está em claríssima deterioração e, mais grave do que isso, na zona euro, os instrumentos para contrariar isto são quase inexistentes. Para já não falar no Brexit. Com economia mais fraca, as cativações em Portugal só poderão acentuar-se e as queixas daí resultantes também, o que não ajudará nada o governo.

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