Matilde Ferro de Gouveia e a Greve Climática

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Imagem de Isabel Santiago.

Na sexta feira passada, estudantes e jovens de mais de cem países manifestaram-se exigindo ação dos políticos para combater as alterações climáticas. Em Portugal, houve manifestações em vinte e seis cidades, muitas delas com centenas de manifestantes. Em Lisboa, milhares de estudantes concentraram-se em frente à Assembleia da República.

Matilde Ferro de Gouveia, quinze anos, uma das participantes em Lisboa, conta-nos o que a motivou a aderir no passado dia 15 de março à Greve Climática Estudantil.

‘Quando era pequena, não me preocupava com o clima. Ficava feliz quando chegava ao meu aniversário, onde fazia calor no inverno, mas, crescendo, fui-me apercebendo que algo está errado em estar calor durante do inverno.

Hoje, com 15 anos, sei que palavras como sustentabilidade e o clima determinam o meu futuro e o futuro da minha geração, pois, após anos e anos de negociações, a temperatura no planeta continua a aumentar, vemos cada vez mais fenómenos climáticos extremos como o ciclone em Moçambique e as emissões de CO2 batem recordes. O Acordo de Paris parece estar na gaveta e vejo políticos e adultos que supostamente deviam dar um exemplo a não fazer nada.

É o meu futuro, o futuro dos meus amigos, o futuro da minha geração que está em risco, e é por causa disso que nós, jovens, a nossa geração tem que lutar. A Greta e o seu exemplo, a sua greve às sextas-feiras levou-me a mim e aos meus amigos a participar na greve climática e a defender o meu futuro.

Já há algum tempo que tenho uma preocupação diária com o planeta; uso sacos de pano, reciclo, como fruta da estação, não desperdiço água.

Em casa fala-se muito das questões ambientais e o facto de ter nascido e vivido na Alemanha, tal como muitos dos meus colegas de escola, deu-me uma consciência ambiental muito forte. Lá a reciclagem é quase uma ciência e a protecção ambiental algo levado muito a sério pela sociedade e pelos políticos.’

matilde ferro gouveia

Matilde Ferro de Gouveia, quinze anos, estudante da Escola Alemã de Lisboa (que teve uma grande participação na greve climática). Viveu até aos catorze anos em Bona, onde ia para a escola todos os dias de bicicleta desde a primária, incluindo no inverno.

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