Provar vinhos não assusta – Uma visão simplista da coisa

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Veja, cheire e prove. Estes são os três passos para se divertir a avaliar um vinho. O resto é conversa!

 

Quem gosta de provar vinhos sabe que os sentidos podem ajudar no seu reconhecimento e avaliação. Com este mini mini-guia ficará a saber como degustar vinho e treinar a memória para os recordar.

Segure o copo pelo pé para não comprometer a temperatura com o calor das suas mãos. Comecemos por olhar para o vinho. O ideal é que seja à luz do dia ou sob uma iluminação neutra.  Primeiro, olhe directamente para o copo. Aponte para a luz e incline ligeiramente para que o vinho possa ir até à borda do copo. Assim poderá observar a gama de cores que o vinho tem, a sua limpidez ou transparência.

A intensidade da cor pode igualmente revelar muitas características do vinho. Uma sombra clara e pálida sugere um Pinot Noir, por exemplo. Já a casta Alicante Bouschet dá origem a um vinho denso e carregado, por ser uma casta tintureira. Um copo de vinho branco pode ter uma cor mais amarela e carregada (ou acastanhada) por ser mais velho, mas também pode ser por ter estado mais tempo em contacto com as películas da uva, por exemplo.

O segundo passo é cheirar o vinho. Para distinguir aromas, pense nas primeiras imagens que lhe vêm à memória. Use o seu instinto. A investigadora Ann Noble criou a ‘Roda dos Aromas’, em que os mesmos são categorizados por famílias. Os aromas podem ser primários (são os que derivam da uva e podem ser frutados, vegetais e florais, entre outros, sendo que em cada uma destas categorias encontramos outros aromas ainda mais específicos. Por exemplo: a amora, framboesa e abacaxi nos aromas frutados; o eucalipto, a relva ou o pimentos nos aromas vegetais;  ou violeta, rosa e camomila nos aromas florais. Já os aromas secundários acontecem através da prática da vinificação e fermentação, assim como o estágio em madeira. É por exemplo o doce aroma de baunilha do carvalho americano ou a especiaria muito comum no carvalho alemão. Finalmente os aromas terciários, provenientes do envelhecimento do vinho em garrafa ou em madeira. Nesta fase, o vinho perdeu já os seus aromas frescos e frutados, dando origem a frutos secos, folha de tabaco seca ou feno, por exemplo.

Por último, o paladar. Através do paladar, da nossa língua, avaliamos a estrutura do sabor. Através dela sentimos o sabor amargo, doce e o ácido. Coloque na boca um pequeno gole de vinho e faça-o rodar na língua, por entre as gengivas e os dentes. Abra ligeiramente os lábios em forma de beijo repenicado e deixe entrar um pouco de ar. É preciso treino, mas ajuda oxigenar e a libertar mais os sabores do vinho. Deixe o vinho manter-se suavemente na boca como se estivesse a mastigar. Cuspa-o depois numa cuspideira.

Tome atenção à impressão com que fica na parte de trás da boca. É um vinho equilibrado? Está em harmonia com a visão e o olfacto analisados antes? E o sabor, persiste na boca ou dilui-se rapidamente? Os vinhos mais persistentes serão os de melhor qualidade. Os vinhos secos terão sempre maior acidez e serão mais gastronómicos que os doces. A acidez é fundamental para um vinho se mostre fresco e vivo, com personalidade. Os taninos (substâncias ácidas que se encontram na pele da uva, nas grainhas e no engaço) percebem-se quando a língua se cola ao céu da boca, uma sensação de adstringência como se estivéssemos a comer um diospiro ou uma banana verde. O vinho parece magro ou cheio? Estruturado ou flácido? Elegante ou robusto? O paladar também identifica estas características.

Na verdade, para aprender a avaliar vinhos, basta provar, provar muito para poder compará-los. Só assim se fará uma correcta avaliação da qualidade dos mesmos.  E, claro, não se esqueça: provar vinhos é bom, mas ainda melhor é bebê-los!

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