Diogo Moura, um lisboeta com espírito de serviço

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Copyright de Isabel Santiago

Estivemos à conversa com Diogo Moura, deputado municipal em Lisboa, líder da bancada do CDS na Assembleia Municipal de Lisboa (AML) e presidente reeleito da concelhia do CDS em Lisboa. Da Capital Magazine estiveram a Isabel Santiago, a Sofia Afonso Ferreira e a Maria João Marques. O resultado foi tão bom que comemorámos, no fim, com uma garrafa de um Sauvignon Blanc alentejano, frio comme il faut e em copos oversize. Para mostrarmos que Lisboa e o resto do país são a sinergia perfeita e que as trocas recíprocas – inclusive das pessoas de outras paragens portuguesas que a capital acolhe – são em benefício mútuo.

Bom, com uma exceção. O portuense (explica muita coisa) Fernando Medina não foi eloquentemente elogiado durante a conversa. Houve mesmo penúria de elogios e abundância de críticas. Até António Costa foi dado como conciliador com as outras forças partidárias de Lisboa (reputação justa que, de resto, já tínhamos ouvido de outros lados relacionados com a gestão camarária lisboeta.) Mas nada para o seu sucessor. Não surpreende a acrimónia com Fernando Medina, contudo, vinda de Diogo Moura. Neste mandato, e no anterior, a oposição do CDS ao presidente de câmara socialista tem sido a mais aguerrida e que mais escrutina o executivo camarário. E consegue acumular tudo sendo construtiva, com propostas e respostas para os problemas dos lisboetas e de Lisboa.

Quando conversámos, estava-se no auge do Madonnagate com os seus quinze estacionamentos a preço de saldos. Inevitavelmente a conversa começou por aí. Uma ‘saloiice’, diz Diogo, que a bonita e cosmopolita Lisboa não precisava (dizemos nós).

Além das questões processuais – se a Câmara Municipal de Lisboa havia cumprido ou não com os seus próprios regulamentos, bem como o valor acordado – Diogo Moura lembrou que os moradores da zona estão permanentemente a pedir uma solução para o estacionamento, sem que a CML alguma vez a tenha apresentado. E afinal até tinha o espaço disponível nas traseiras do Palácio Pombal. De resto, parecido se passa nas outras zonas da cidade: não há soluções camarárias para aliviar os lisboetas do tormento do estacionamento. O deputado municipal do CDS ilustra a situação: reduz-se o número de estacionamentos a cada obra que Fernando Medina faz, sem que se dê estacionamento subterrâneo como alternativa ou, sequer, se coloquem espaços para estacionamento em espinha em vez de longitudinal.

‘Solução’. ‘Soluções’. Diogo Moura regressa a estas palavras vezes sem conta durante a conversa em várias variantes e contextos: ‘o CDS apresenta solução’; ‘a CML não apresenta solução’; ‘as pessoas pedem soluções’. O pragmatismo, nota-se, é mais valorizado pelo CDS do que a carga ideológica. Até porque reparam que as pessoas estão cada vez mais interessadas, sobretudo a nível autárquico, no que toca às medidas políticas que as afetam. E, lá está, munícipes interessados querem soluções. As coletividadades também apreciam quem lhes ofereça as tais das soluções. Por isso mesmo estas organizações, antes geralmente próximas do PCP, agora trabalham também com o CDS. Nota-se em Diogo a satisfação porque ‘o movimento associativo vem bater à porta do CDS’ quando precisa que lhes oiçam os problemas.

Diogo Moura não encontra a mesma disponibilidade em Fernando Medina. Tudo o que o CDS propõe na CML é rejeitado por Medina e pelo BE. Vê claramente um preconceito ideológico. Na AML já é mais fácil, e algumas propostas do CDS vingam. As palavras para o presidente da câmara, Fernando Medina, não são meigas (nós avisámos). É ‘facilmente irritável’. ‘Não gosta de ser contrariado’. ‘Não sabe explicar nem se sabe defender’. Há mesmo uma tensão às claras entre os vereadores do PS e os independentes eleitos pelo mesmo partido.

 

 

Fernando Medina não dá ao BE o mesmo tratamento que dá ao CDS. Para os bloquistas é mais flores e bombons (expressão nossa; o entrevistado diz o mesmo mas em versão circunspecta e própria de um político eleito). O PS em Lisboa vota a favor de tudo o que o BE apresenta que tenha uma forte carga ideológica. Ricardo Robles tem conseguido levar o PS atrás de toda a sua agenda. Por exemplo, refere Diogo Moura, na apresentação da prostituição como mero ‘trabalho sexual’. Quando até as organizações que trabalham com as pessoas que se prostituem discordam desta terminologia.

O mesmo BE – e, por arrasto, Fernando Medina e o PS – não estão à altura dos moralismos que apregoam nas suas políticas. Apesar das ferozes críticas à especulação imobiliária, aos despejos e à subida das rendas, a CML, com o acordo do BE (e, por vezes, por instigação do BE), porta-se pior do que os proprietários imobiliários que, afinal, não estão obrigados às mesmas preocupações sociais de uma câmara municipal. A própria CML faz o que critica nos privados e despeja inquilinos dos seus imóveis, sem lhes dar soluções, não obstante ser um grande proprietário imobiliário. O socialista Medina prefere vender os imóveis do que mantê-los para albergar associações meritórias. Diogo Moura dá o exemplo da Casa do Concelho de Castro D’Aire, em Marvila, coletividade com atividade e mais de 1000 sócios, no vídeo que se segue.

 

 

Nem os problemas ambientais, anteriormente reclamados para si pela esquerda, são acarinhados pela dupla PS+BE. O CDS prevê que as questões de sustentabilidade ambiental, já importantes, venham a ser fulcrais. Diogo Moura lembra que a Avenida da Liberdade é das vias mais poluídas da Europa, sem que a CML procure apresentar – lá está – uma solução.

Perguntamos se Diogo Moura não considera que o estatuto dos autarcas em Lisboa devia ser revisto. É certo que os presidentes de câmara em Lisboa e Porto são mais remunerados pelo maior número de pessoas que têm no município, mas a demagogia sobre os rendimentos dos políticos aqui também impede que se trate de forma diferente o que é diferente. Em Lisboa as juntas de freguesia são mais populosas – e trabalhosas – que muitos municípios portugueses, sem que haja recompensa adequada. O escrutínio que se aplica – e bem – ao presidente da CML é só comparável ao que se despende com os ministros mais visíveis. Maiores recompensas financeiras seriam uma forma de dignificar o trabalho autárquico – onde a proximidade aos governados é maior no melhor dos sentidos, tratam-se de resolver os problemas efetivos, tem um impacto direto e forte na vida das pessoas. Diogo Moura concorda, ora vejam no vídeo que vem a seguir.

 

 

Diogo Moura está claramente orgulhoso do trabalho do CDS em Lisboa – e do seu próprio. Como diz, é um ‘trabalho diário, permanente’. ‘Não há uma semana em que não estejamos na rua, próximo das entidades, das organizações, dos moradores’. Também é transparente o afeto de Diogo pela cidade e pelo que faz na AML. As respostas sobre o sucesso específico do CDS em Lisboa são – obrigatoriamente – medidas e partidariamente corretas, apeteceu perguntar ‘e em off qual é a opinião?’, mas, em boa verdade, não custa perceber a confiança dos eleitores lisboetas de centro-direita no CDS de Lisboa e de Diogo Moura.

 

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Diogo Moura by himself:

37 anos
Alfacinha de gema
Lema: Servir Lisboa
Licenciado em Comunicação Aplicada: Marketing, Relações Públicas e Publicidade
Profissão: Gestor de Projectos Culturais na Fundação INATEL
Trabalhei durante 10 anos na CML
Atividade Política:
– Presidente da Concelhia de Lisboa do CDS desde 2016 (reeleito há semanas para o segundo mandato);
– Vogal da Comissão Política Nacional do CDS;
– Filiado em 1999, no dia em que completei 18 anos.
Atividade Autárquica:
– Autarca desde 2001 como membro de Assembleia de  Freguesia;
– Desde 2009 deputado municipal e desde 2013 líder da bancada do CDS.
Texto de Maria João Marques. Fotografias e vídeos de Isabel Santiago.

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