Cantão em Lisboa

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Miguel Ângelo Matos foi perceber as diferenças entre o Dinastia Tang e um chinês normal. E gostou mais do primeiro.

Marisa Cerqueira e o marido, chinês, Binlu Zhu, abriram uma surpresa em Marvila que, desde 2014, não passa de moda. No bairro mais em voga para ser visto estes últimos tempos, nasceu, de uma paixão conjunta pela China, o Dinastia Tang. Um restaurante que logo impressiona só de entrar. Um pé direito altíssimo – era um antigo armazém de vinhos da zona de Marvila – e uma decoração de tirar a respiração. Tudo iluminado de forma exemplar, ou não fosse objeto dessa iluminação um interior todo composto por peças vindas diretamente da China. A complementar, música instrumental chinesa termina a receção.

dinastia tang

“O mais importante é o que está no prato”, já diz o meu amigo Bruno que além de fotógrafo é obcecado por comida. E por isso fomos investigar o que distingue estes sabores de Cantão do resto do pelotão. Primeiro escrutinamos a carta e tentámos fazer o pedido de acordo com uma estratégia. Iríamos experimentar aquilo que se come em outros restaurantes chineses – buffets e afins –, não sem antes nos perdermos por um Dim Sum (bolinhos com massa cozidos a vapor). Optamos por Siu Mai de Carne e Gambas (€4.20) e ficamos espantados com a precisão da cozedura e com o sabor neutro mas delicado da mistura algo inusitada de porco e gambas. A apresentação também não deixava a desejar, no original tacho de bambu em que é cozinhado. Passei para um prato convencional de Frango Frito com Amêndoas (€8.95), estava habituado a comer isto à moda de um Chop Suey. Em vez disso, a simplicidade de um empanado de amêndoas em tiras de frango fritas sem muita gordura e uma carne tenra deixaram de lado qualquer suspeita e qualquer comparação que se pudesse fazer entre este restaurante e outro qualquer. As Gambas Fritas com Picante (€13.95) remataram os pratos principais, sendo suculentas e com um picante especial diferente daquilo a que estamos habituados, nada agressivo. Servidas com cebola e três tipos de pimento era suculentas e saborosas, a provar que nem sempre litros de molho de soja e sal são necessários para a cozinha chinesa. Ou talvez seja, nesse buffet onde já fui.

O Pão Chinês com Porco e Mel (3,95€, 3 unidades), os Pães Chineses com Doce de Ovos (€3.95, 3 unidades), que são um Dim Sum geralmente comido como sobremesa, a bandeira do menu – o Frango Si Chuan (€14.90) e o Leite Frito (€3.50) como sobremesa, são outras hipóteses a ter em conta para uma imersão total no que de mais típico está na carta.

O Arroz Chau Chau irrepreensível (€1.50), um sorvete que tanto era delicioso e bem servido tanto aqui como na China (€€1.50), e um chá de Jasmim ligeiramente caro (€6.95 para duas pessoas) resolveram a nossa conta e mostram que por vinte euros se pode ter uma grande experiência gastronómica. Uma nota menos positiva para o atendimento, algo arrogante e desastrado, mas todas as rosas têm os seus espinhos. A voltar o mais depressa possível (embora o estacionamento seja fácil, Marvila é sempre um bairro fora de mão).

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Depois da licenciatura em Ciências da Comunicação, seguiu para Londres à procura de mais jornalismo. Tirou uma pós-graduação em Fashion and Lifestyle Journalism no London College of Fashion, University of the Arts London e, ao mesmo tempo, colaborava com as revistas LuxDECO, Lux e Única do Expresso. Tirou tempo para se dedicar ao desporto e voltou no site Rua de Baixo e agora na Capital Magazine.

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