Cais da Pedra. Um oásis na cidade que faz 20 anos em 2018.

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Copyright Isabel Santiago Henriques

A discoteca Lux-Frágil e pizzeria Casanova são expoente máximo do sucesso da nova antiga zona de Lisboa. As filas falam por si.

Quando descobri que o meu italiano preferido – e um dos filhos do revitalizado Cais da Pedra em Santa Apolónia – tinha aberto já no ido ano de 2000, mais precisamente no dia 25 de Abril desse ano, fiquei estupefacto. As melhores pizzas da cidade já se comercializam sob a alçada de Paola Porru quase há tanto tempo como o da existência do maior bastião da noite lisboeta, o Lux-Frágil. Aquilo que era uma zona abandonada, e que estava sem rumo, ficou, pela mão de Manuel Reis (falecido em Março deste ano), renascido e cheio de polos de atração. Desde a Bica do Sapato – restaurante para ver e ser visto, mesmo que seja o rio o seu maior destaque – até à loja de discos Flur, meca de DJ’s nacionais e internacionais, todos os restaurantes e lojas estão selecionados a dedo para transformar estes pavilhões do Cais da Pedra e o edifício do Lux-Frágil – um edifício de betão datado de 1910, onde funcionava uma oficina de uma empresa de estiva – em lugar parecido com um oásis na cidade.

Passaram vinte anos desde que fui convidado para a inauguração desta discoteca que viria a mudar – mais uma vez, e como não poderia deixar de ser, pela mão de Manuel Reis – o panorama do clubbing nacional. Sempre com uma programação arrojada e sem medo do novo. Aliás com o novo como mote. Um também meu parceiro de trabalho – Ricardo Mealha, falecido em 2015 – tratou da imagem gráfica durante muito do percurso do Lux-Frágil e é o trabalho dele que vai também estar muito em destaque no Hub Criativo do Beato, a partir de Setembro, numa exposição integrada na comemoração dos 20 anos da discoteca (com curadoria de Fernando Brízio, tal como avançou Pedro Fradique recentemente ao jornal Público) e também dos mesmos anos que passaram desde o final da Expo’98.

LUX 01
Copyright Paulo Seabra

Em relação ao Cais da Pedra, só se espera o melhor nesta nova era. Ficamos com a sensação que somos todos herdeiros de Manuel Reis na medida em que a zona está democraticamente acessível a qualquer um dos lisboetas, é virada para o rio e sem vergonha de ser sempre contemporânea. Claro que pode ser difícil entrar no Lux-Frágil, assim como o é em grande parte dos clubes pelo mundo fora. Mas sempre será mais democrático que o seu antecessor, o Frágil do Bairro Alto.

Em ano de celebrações, que já começaram com a festas Life Changing Probably, o Cais da Pedra merece uma visita bem carregada de emoção, à beira do nosso rio e também com um cheiro a elitismo da moda que em nada defrauda os seguidores e os curiosos.

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