Fazer bebés não custa

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Fotografia da Isabel Santiago Henriques

Como é evidente, o que custa é criá-los. Por várias razões:

  1. Porque a média dos salários é baixa e a carga fiscal é alta. Já é difícil que chegue aguentar salários de mil euros até ao final do mês sem filhos.
  2. Porque não há creches suficientes e as que existem são muito caras. As IPSS raramente têm vagas e fazem com que um casal com rendimentos pouco acima da mediania vá automaticamente parar ao escalão máximo, o que lhe garante uma renda mensal de mais de 400 euros só para ter onde deixar a criança durante o dia.
  3. Porque as cidades não facilitam a mobilidade. Os transportes não são excelentes (nalguns casos nem existem), as vias de comunicação estão entupidas a cada instante.
  4. Porque os horários de trabalho não são pensados em função da organização familiar.
  5. Porque existe uma política cultural nas empresas que diz que o trabalho vem sempre primeiro.
  6. Porque os homens não são encorajados a participar na vida familiar – o que, na prática, os discrimina tanto como as mulheres.

Isto é bom para início de discussão. Temo, porém, é que estejamos mais uma vez em início de discussão e que esta, como as outras, acabe por não chegar a lado nenhum.

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32 anos, casado, pai de uma filha. Advogado e ex-assessor no XIX Governo. Colaborei, enquanto jurista, na redacção do livro “O Inimigo em Casa – Dar Voz aos Silêncios da Violência Doméstica” e escrevi o artigo “A Liberdade não está a passar por aqui” para o livro “Troika Ano II – Uma visão de 66 cidadãos”. Escrevo no Observador sobre o sistema político e a justiça.

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