Não nos habituamos

0

 

Os recentes acontecimentos no Sporting indignam-me e assustam-me.

Pela gravidade, mas sobretudo pela normalidade com que o seu presidente nos assegurou, de forma desconcertante e banal que os crimes fazem parte do dia a dia. Que temos de nos habituar e que é chato.

Não é. Nem é chato, nem temos de nos habituar.

Do dia a dia só fazem parte os crimes que nos obrigam à “normalidade” de ter alguns cuidados:  evitamos certos sítios a determinadas horas, para que não nos roubem a carteira e fechamos a porta à chave para não sermos assaltados. A “normalidade” do crime num país civilizado e no nosso modo de vida, não passa muito disto. E basta.

Gente que se organiza em hordas – braços armados das claques – esquadrões que invadem com uma facilidade tenebrosa espaços de acesso muito restrito, que conseguem fazer feridos – com ferimentos que podiam ter tido outro desfecho – não, não é normal.
Não é, nem podemos deixar que venha a ser.

DSC_6884

Não podemos, nem queremos, ter um polícia armado em cada esquina a proteger-nos, a proteger atletas e jogadores e por isso resta-nos, em conjunto, e como sociedade que ainda tem valores, varrer esta gente da cena desportiva. Limpar clubes, relvados, bastidores e balneários. Tirar-lhes os megafones que incendeiam rastilhos de hostilidades e vinganças.

E ser implacáveis e intolerantes com a intolerância e a violência, tentar salvar urgentemente o que tem de ser o desporto, preservar o espírito que move os seus verdadeiros protagonistas, praticantes e adeptos, com uma vontade mobilizadora que tem de ir para além dos portões dos estádios. ­

Não sei exatamente como, mas sei que não podemos ignorar.

Se enterrarmos – todos – a cabeça na areia, seremos cúmplices e veremos em breve trocados e alterados para sempre os antigos conceitos e definições de desporto.
O do respeito pelos adversários e o da não-violência, seguramente.

 

Fotografias © Isabel Santiago 

 

 

Artigo anteriorMuita força para pouco dinheiro
Próximo artigoJorge Sampaio também está envergonhado?
Avatar
Isabel Santiago nasceu em Aveiro em 1960 onde estudou até terminar o Liceu. Mais tarde acabou a sua formação na área comercial na Suiça, numa Escola privada e na Universidade de Lausanne. Trabalhou nas empresas comerciais fundadas pelo seu pai durante mais de 20 anos. Em 2010, já a residir em Lisboa, inscreveu-se num curso de fotografia e fotojornalismo, que completou durante 3 anos e nunca mais largou a fotografia. Ficou a trabalhar com Luiz Carvalho como assistente de realização no programa Fotografia Total da TVI24 e Fotobox da RTP3 ao longo de mais de 4 anos. Fotógrafa, de direita e apaixonada por política, regista e acompanha os mais diversos eventos do CDS. Tem 3 filhos e espera em breve vir a ser avó.

Deixe um comentário. Acreditamos na responsabilização das opiniões. Os comentários anónimos ou de identificação confusa são apagados, bem como os que contenham insultos, desinformação, publicidade, contenham discurso de ódio, apelem à violência ou promovam ideologias de menorização de outrém.

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.