(As Novas Cartas Portuguesas. O livro começa com uma carta de 1 de Março de 1971 e termina com um fragmento escrito a 25 de Outubro de 1971). 

Corria o ano de 1971.

Três amigas juntaram-se

num restaurante no Bairro Alto.

E se escrevêssemos um livro as três?

Reúne um mundo, dentro de um mundo,

cartas, ensaios, poemas e fragmentos. 

Sim, senhora, vamos a isso.

O livro português mais revolucionário de sempre

escrito por mulheres!

Um livro,

Muitas cartas.

Elas, as Marias, eram escritoras,

escreviam livros políticos,

desafiavam a sociedade,

desafiavam os papéis sociais

impostos às mulheres.

Que nunca percamos as Marias,

que nunca percamos a esperança,

o desejo de mudança,

a inspiração

e dela saibamos fazer a revolução,

que nunca esqueçamos quem foram as Marias,

que da tinta fizeram a arma da nossa resistência.

Ah, que nunca percamos o sentido de justiça,

a voz para falar,

as mãos para escrever,

o grito para denunciar,

que sejamos, todas nós, uma Maria,

as Marias.

São de todas as mulheres,

são todas as mulheres.

Maria Isabel Barreno.

Maria Teresa Horta.

Maria Velho da Costa.

Partiram de Lettres Portugaises, 

um livro de cartas 

escritas por Mariana Alcoforado, 

arrebataram a sociedade portuguesa

de tão irreverentes que eram,

e a irreverência fez-se em livro,

e o livro um sinal de resistência,

não se acomodaram,

não se deixaram ficar,

não se deixaram calar,

não se deixaram apagar,

não quiseram saber dos ditos do regime,

não quiseram saber dos desditos da censura,

e escreveram

9 meses

um filho de todas as mulheres!

Sentia-se no ar o cheiro a revolução.

Três mulheres resistentes

fizeram tremer o regime.

Natália Correia editou o livro,

a bomba tão necessária.

Portugal parou,

a pequenez de um país 

apressou-se a banir este livro,

pide, repressão, censura.

Em Portugal apreenderam o livro,

instauraram um processo às autoras,

a imaginação das 3 Marias, presa, apreendida,

manifestações feministas, protestos,

uma causa maior que o país.

Julgadas, pelo crime de escrever!

Mas as palavras voam com o vento

e depressa chegou ao mundo

de mulheres para mulheres.

Atentas, destemidas

Daquelas mulheres que são quase deusas

ou deusas que são quase mulheres,

falando e escrevendo e criando

de mulheres para mulheres.

O livro transformou o feminismo português,

chocou a sociedade portuguesa

dos valores e bons costumes

feito caruncho, podridão,

a mulher também tem voz

e agora é tarde de mais para a calar!

Ah, estas 3 Marias.

Mulheres de fibra.

Mulheres livres.

Quem nos salvou foram elas!